- Categoria: Dicas de Moda
- Escrito por: Erick Wolff∞
O QUE O CARNAVAL REVELA SOBRE DIVERSIDADE, CASTING E ESCOLHAS DAS MARCAS
Por Danilo Rowlin*
O Carnaval ocupa um lugar singular no calendário cultural e econômico brasileiro. Para além da festa, o período se consolidou como um dos principais motores de consumo, turismo e ativações de marcas no país. Segundo estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 18,6 bilhões apenas no mês de fevereiro, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025 e o melhor resultado da série histórica iniciada em 2011, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse volume de recursos transforma o Carnaval em um ambiente de exposição intensa. Com ruas cheias, múltiplos pontos de contato e atenção concentrada, as escolhas feitas pelas empresas deixam de ser apenas criativas. Elas passam a comunicar posicionamentos. Como termômetro mercadológico, o Carnaval amplia a visibilidade de escolhas que deveriam orientar o audiovisual nos meses subsequentes, colocando a diversidade à prova de forma concreta nos elencos, nas narrativas e nas produções que ganham espaço durante a folia.
A mudança também está diretamente ligada ao comportamento do público mais jovem. Pesquisa do InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, mostra que 94% da Geração Z só se conecta com patrocinadores que entregam utilidade real durante o Carnaval. Para esse grupo, não basta estar presente. A marca não deve disputar protagonismo com a festa, mas oferecer soluções práticas para os desafios que surgem ao longo dos dias de celebração. Relevância, nesse contexto, passa a valer mais do que visibilidade.
No audiovisual, esse deslocamento é percebido de forma clara nos processos de casting e na escolha de atores, criadores e influenciadores que representam os parceiros comerciais. A busca por um elenco diverso, que representa a pluralidade nacional em campanhas publicitárias começam antes deste período e podemos vê-las estampadas nas campanhas veiculadas durante essa época. Em um período de alta exposição, decisões sobre quem ocupa o centro das campanhas ganham peso estratégico. A curadoria sobre a apresentação desses corpos diversos deixa de ser um gesto simbólico e passa a influenciar diretamente a forma como as mensagens são recebidas e as narrativas contadas.
Esse recorte ajuda a entender que diversidade não se resume a quem aparece na tela. Ela está nos critérios de seleção, direção de elenco e nas histórias que se escolhe contar. Produções que incorporam esse olhar de forma consistente tendem a gerar maior identificação e confiança, especialmente em um ambiente em que o público está mais atento e menos tolerante a abordagens superficiais.
Tratar a diversidade como elemento estrutural, e não apenas pontual, torna-se um diferencial competitivo. Conectar talentos diversos a projetos relevantes exige método, seleção estratégica e conhecimento do ecossistema criativo. O Carnaval, justamente por concentrar visibilidade e investimento, expõe quem faz isso de forma consistente e quem ainda recorre a soluções sazonais.
